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“Amar carregando a dor do outro”: a alegria de oferecer proximidade ao doente

“Amar carregando a dor do outro”: a alegria de oferecer proximidade ao doente
10/02/2026 46 visualizações
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Na sua Mensagem para o XXXIV Dia Mundial do Doente o Papa Leão XIV sublinha a necessidade de um estilo de vida cristão de “dimensão fraterna, samaritana, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária”.

A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro

Por ocasião do Dia Mundial do Doente (11 de fevereiro), neste ano de 2026, o Santo Padre quis propor novamente a imagem, sempre atual e necessária, do bom samaritano, a fim de redescobrirmos a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão e chamar a atenção para os necessitados e para os que sofrem, como são os doentes.

“A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro” é o título de uma Mensagem que recorda a parábola do bom samaritano no texto de S. Lucas. O Papa recorda:

“A um doutor da lei que lhe pergunta quem é o próximo a amar, Jesus responde contando uma história: um homem que viajava de Jerusalém para Jericó, assaltado por ladrões, foi abandonado quase morto; um sacerdote e um levita passaram ao largo, mas um samaritano encheu-se de compaixão, tratou-lhe as feridas, levou-o para uma hospedaria e pagou para que cuidassem dele”.

O Papa Leão XIV propõe uma reflexão sobre esta passagem bíblica com a chave hermenêutica da Encíclica Fratelli tutti do Papa Francisco. Uma leitura na qual a compaixão e a misericórdia para com os necessitados não se reduzem a um mero esforço individual, mas realizam-se na relação: com o irmão necessitado, com aqueles que cuidam dele e, fundamentalmente, com Deus, que nos oferece o seu amor.


O dom do encontro: a alegria de oferecer proximidade e presença

O Santo Padre divide a sua reflexão em três pontos. O primeiro fala-nos do dom do encontro e da alegria de oferecer proximidade.

“Vivemos imersos na cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença, que impede de nos aproximarmos e pararmos no caminho para olhar as necessidades e os sofrimentos à nossa volta”, escreve Leão XIV.

Para o Papa, o amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro; ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar. E este amor tem que se alimentar do encontro com Cristo, que por amor se entregou por nós.

Leão XIV afirma:

“O dom do encontro nasce do vínculo com Jesus Cristo, a quem identificamos como o bom samaritano que nos trouxe a saúde eterna e a quem tornamos presente quando nos inclinamos diante do irmão ferido”.


A missão partilhada no cuidado dos doentes

No segundo ponto da sua reflexão, o Papa afirma que ter compaixão implica uma emoção profunda, que conduz à ação. É um sentimento que brota do interior e leva a assumir um compromisso com o sofrimento alheio.

O Santo Padre salienta a importância de que o cuidado dos doentes seja feito com outras pessoas, procurando a construção de um “nós”. Recorda que, nesta parábola, “o samaritano procurou um estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem, como nós estamos chamados a convidar outros e a encontrar-nos num ‘nós’ mais forte do que a soma de pequenas individualidades”.

E acrescenta, a partir da sua experiência:

“Na minha experiência, como missionário e bispo no Peru, eu mesmo constatei como muitas pessoas partilham a misericórdia e a compaixão ao estilo do samaritano e do estalajadeiro. Familiares, vizinhos, profissionais e agentes pastorais da saúde e tantos outros que param, se aproximam, curam, carregam, acompanham e oferecem o que têm, dando à compaixão uma dimensão social. Esta experiência, que se realiza num entrelaçamento de relações, ultrapassa o mero compromisso individual”.


Movidos pelo amor a Deus, para nos encontrarmos a nós mesmos e ao próximo

No terceiro e último ponto da sua Mensagem, o Papa Leão XIV recorda a necessidade de se cumprir o “duplo mandamento” de amar a Deus e ao próximo.

“A primazia do amor divino implica que a ação do homem seja realizada sem interesse pessoal ou recompensa, mas como manifestação de um amor que transcende as normas rituais e se traduz num culto autêntico: servir o próximo é amar a Deus na prática”, escreve o Santo Padre.

Para o Papa, o serviço ao próximo implica afastar de nós o interesse de basear a nossa autoestima ou o sentido da nossa própria dignidade em estereótipos de sucesso, carreira, posição ou linhagem, recuperando, pelo contrário, a nossa própria posição diante de Deus e do irmão.

Na conclusão, Leão XIV deixa este apelo:

“Desejo vivamente que nunca falte no nosso estilo de vida cristão esta dimensão fraterna, ‘samaritana’, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a sua raiz mais íntima na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo. Inflamados por esse amor divino, poderemos realmente entregar-nos em favor de todos os que sofrem, especialmente dos nossos irmãos doentes, idosos e aflitos”.


Cuidar de pessoas concretas

Partilhamos aqui o testemunho de uma médica, entrevistada em março de 2025 pela Rede Sinodal em Portugal, no âmbito do podcast “No coração da esperança”, no qual assinala a importância da comunicação, da linguagem e do diálogo com o doente.

A cardiologista de Coimbra, Sílvia Monteiro, sublinha a experiência de humanização que é cuidar de pessoas concretas com rosto e com uma história:

“A Igreja e a medicina têm em comum, no fundo, promover a dignidade da vida humana. Isto é, cuidar de pessoas concretas, com um rosto, com uma história, com uma família, como nós. E eu penso que esta tem que ser a centralidade da nossa ação. Cuidar da pessoa humana. E, enquanto médica, permita-me que diga isto, parece-me que o cuidar da pessoa é, sem dúvida, uma experiência de humanização brutal, que partilho enquanto médica, enquanto mulher de Igreja, que nos ensina qual é que é o nosso propósito de vida e que nos permite efetivamente cumprir plenamente a nossa missão.

Quando falamos de comunicar, e comunicar com pessoas, doentes ou não, é muito importante cuidarmos da nossa linguagem. E a linguagem deve ser sempre muito clara, aberta, muito colaborativa, muito próxima, sempre num ambiente de diálogo e partilha.

Somos pessoas por inteiro à frente da pessoa, do meu doente, que tenho à frente, e em que entregamos tudo. E, portanto, inteiramente todo o nosso ser. E, portanto, trazer também esta forma de comunicar para a Igreja parece muito interessante neste contexto. Sobretudo numa altura em que claramente a sociedade tem uma postura muito indiferente à mensagem de Cristo. Parece-me que a Igreja perdeu a capacidade de tocar a vida concreta das pessoas. E, por isso, acho que todos, em conjunto, precisamos de melhorar a nossa comunicação”.


Um desafio concreto para o nosso dia a dia

A Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial do Doente deixa-nos um desafio concreto: assumir um estilo de vida cristão que se entregue em favor dos que sofrem, especialmente dos doentes.

Laudetur Iesus Christus.

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